Este vai pra você, Campos Maia!

ESTA VAI PRA VOCÊ, CAMPOS MAIA!

(texto de José Ouverney, 24.10.2013   -    (Veja mais textos do autor em http://www.falandodetrova.com.br/ouverneyconverso)

(homenageando o Residencial Campos Maia, bairro que me adotou em janeiro de 2000)

     Quantas vezes já folheei a obra do poeta maior de Pindamonhangaba, Prof. Balthazar de Godoy Moreira (13/01/1898 – 14/01/1969) e quantas vezes senti uma inveja boa dele, pelo amor e dedicação com que empregou todo o seu talento a compor um soneto para cada logradouro público de sua terra natal. São dezenas deles, sendo o carro-chefe esta obra-prima (único soneto que sei de cor):

À PRINCESA DO NORTE

Esta é a cidade que o meu sonho encerra!

Como uma sombra evocadora e mansa;

Por estas ruas e arrabaldes erra

Minha mais doce, mais feliz lembrança!

Meu olhar namorado não se cansa

De vê-la; a igreja, os casarões, a serra…

E o Paraíba que aos seus pés remansa

Quando eu digo baixinho: Minha Terra!

Ela é o cantinho que eu mais quero bem;

O meu lar, meu abrigo, minha taba.

Sei que outras terras mais progresso têm

E que mais ricas muitas outras são,

Mas uma apenas – Pindamonhangaba,

Cabe inteirinha no meu coração!

BALTHAZAR DE GODOY MOREIRA

     Pois bem, residindo desde janeiro do ano 2000 no Bairro Campos Maia, e ouvindo o apito de um trem que passa sempre ao entardecer, “plagiando” meu mestre Balthazar (que vã pretensão!), acabei também compondo um soneto em homenagem ao bairro que me acolheu e no qual resido há uma pá de tempo.

     Portanto, por hoje, nada de trova, apenas esta composição ao bairro que me adotou, que publico, sob a complacência dos leitores e de meu saudoso ídolo:

MEU BAIRRO CAMPOS MAIA

Simpático, aprazível Campos Maia,

mudei-me para cá no ano dois mil;

à noite, lembra, às vezes, um canil

e os pombos fazem dele a sua praia…

O bairro é bom, não é um bairro hostil;

tem trem que passa, antes que a noite caia;

talvez culturalmente não me atraia,

porém, essa é a cultura do Brasil.

A rua é João Batista Ortiz Monteiro;

minha esposa é Henriqueta, eu sou José

e, quando algum amigo nos visita,

servimos, com prazer, um bom café:

o pão é quente, o papo é bem caseiro

e só termina… quando o trem apita!

JOSÉ OUVERNEY – 04.10.2011

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texto publicado por José Ouverney em 24.10.2013