Balthazar de Godoy Moreira +

    BALTHAZAR DE GODOY MOREIRA não foi apenas um grande poeta de Pindamonhangaba, cidade onde nasceu a 13 de janeiro de 1898: foi também escritor. Compôs um soneto para cada logradouro de seu chão natal. O soneto no qual ele expõe todo seu amor a Pindamonhangaba está afixado nas portas de prédios públicos. Empresta seu nome a uma rua do próspero Bairro Residencial Lessa.  Assim como há uma biblioteca em Caçapava e uma escola em Marília, com seu nome, ele que foi também um brilhante educador.
 Obras publicadas: Marília, cidade nova e bonita, 1936, Negro velho de guerra, 1947, Roteiro de Pindamonhangaba Poesia, 1960, Curumim sem nome, s/d, Aventuras nos garimpos de Cuiabá, 1960, Rio Turbulento, s/d, O Castelo dos Três Pendões, A Caminho do Oeste, s/d. 

 

Vou das mágoas me expungir
nos cimos, além dos vales;
clima de serra é elixir
que cura todos os males...

Se em minha mão, por acaso,
a tua pões, tão mimosa,
penso num rústico vaso
contendo um botão de rosa.

Ao seu amado não ande
cobrando mínimas penas...
-- O amor verdadeiro é grande
até nas coisas pequenas!

Se é certo que não me queres,
vou de outro amor à procura.
-- O mal que vem das mulheres,
com as mulheres se cura...

Quando te vais confessar,
bem que eu quisera que Deus
me permitisse constar
de algum pecado dos teus.

Daquela que jura e trai,
resguarda o teu coração.
Quem trai uma vez contrai
o vício da traição.

A força bruta baqueia
ao doce toque do amor.
-- O mar quando beija a areia
perde todo o seu furor...

Navegador que não sabe
que porto quer alcançar,
nenhum direito lhe cabe
de fazer queixas do mar.