Augusto Astério de Campos - Cachoeira/BA

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AUGUSTO ASTÉRIO DE CAMPOS nasceu em Cachoeira/BA a 28 de agosto de 1925. Em 1947 transferiu-se para o Rio de Janeiro.

Pertencente a uma família de poetas: seu pai, Jacinto Barbosa de Campos, seus tios Astério e Sabino de Campos, seu irmão Onildo de Campos e ainda uma irmã.

Abrindo, em cantigas novas,

os jogos florais de ensaio,

abrem-se cachos de trovas       (1º lugar em Caçapava/SP, 1981)

nessas roseiras de maio!

Balança o fiel da gente,

nesse oscilar inseguro,

entre o pesar do presente

e o que pesar... no futuro!...

O que nos tolhe a jornada

não são os cardos ao rés...

É a nossa sombra esmagada

pelo pisar de outros pés...

Bom irmão é aquele amigo

que, numa angústia presente,

parte e reparte consigo

parte das dores da gente!...

Bahia... Voz que se exprime

num canto alegre e encantado,

pelo violão de Cayme

e a pena do Jorge Amado!...

Não vale, a linguagem rica,

um palmo do chão que lavras:

- é a ação que frutifica!

Palavras... são só palavras!

Que consonante harmonia

da orquestra de passarinhos,

cantando a doce alegria

desses palanques de espinhos!...

Castigo é ver, retratado,

no espelho dos desenganos,

o meu rosto retalhado

pelo chicote dos anos!...

Não me perco em passo errado,

nessas trilhas do amargor...

- Vim ao mundo endereçado:

aos cuidados do Senhor...

Nas carícias das alfombras,

em caminhadas aos rés,

vão, meus pés, beijando as sombras

das pegadas dos teus pés...

Quase caindo aos pedaços,

qualquer dia, que vier,

acabo morto nos braços

de u'a Maria qualquer...

Trago o peito estrangulado

na dor que mais me doeu,

vendo o lugar ocupado

no coração que foi meu!...

Grito de amor que se espalma,

em repetida euforia,

o beijo é foguete da alma

a estrelejar de alegria!!!

A pena de Rui descansa,

deixando, à Bahia, o orgulho

do Saber velado à lança

dos heróis do Dois de Julho!...

É uma edição de desgosto,

das esperanças, em fugas,

o livro aberto do rosto

todo franzido de rugas!...

Nossos filhinhos ninando,

Maria a cantar, feliz,

é uma cigarra alegrando

meus sonhos primaveris!

Para a inocente criança,

o amor de mãe, tão profundo,

é a faixa de segurança

na travessia do mundo!