texto de Pedro Mello (UBT – São Paulo)

          Conhecemo-nos em 1999, na cidade fluminense de Barra do Piraí, numa das inúmeras festas da Trova. Tinha participado de um ou outro concurso desde 1996, mas foi em 1999 que José Ouverney ingressou definitivamente na UBT, sendo – em pouquíssimo tempo – trovador dos mais premiados em todo o território nacional. Amigo discreto, humilde e afável, Ouverney nunca permitiu que a soberba se instalasse em seu coração por causa dos prêmios. Sempre cordial e camarada, conquistou amigos em todas as cidades por onde passou e sempre deixando nos anfitriões a vontade de vê-lo premiado no ano seguinte. E todo o talento de J. O. não poderia ficar “impune”: no ano de 2005 recebe um galardão inestimável, sendo alçado à categoria de “Notável Trovador” nos Jogos Florais de Pouso Alegre, no qual emplacou naquele ano três trovas de uma só vez, tema “CORAGEM”. Ei-las aqui para o nosso deleite:

Ter fugido quando, ardente,
a paixão pediu passagem,
no meu caso, especialmente,
não foi medo... foi coragem!

Caio, levanto-me e sigo!
Mal sabem que esta coragem
é apenas meu medo antigo
usando nova roupagem!

O que se crê ser miragem
vive, às vezes, bem defronte:
basta criarmos coragem
e atravessarmos a ponte!

          Depois deste feito, chegar à condição de Magnífico Trovador era só uma questão de tempo...       Agora, em 2008, a Trova recebe seu mais novo Magnífico Trovador de braços abertos. Conforme mencionei acima, José Ouverney iniciou sua carreira vitoriosa em 1999. Pois bem, naquele mesmo ano ele emplacou sua primeira trova no gênero humorístico, nos XL Jogos Florais de Nova Friburgo, tema “MANIA”, já obtendo um honroso 5º. lugar:

Usar pente todo dia
é mania do Rabelo.
Seria normal? Seria...
Se ele tivesse cabelo!

          E lá em Nova Friburgo retornou em 2001, desta feita com um 2º. lugar no gênero lírico/filosófico, tema “DETALHE”:

Esquecê-la... de que jeito?
Por mais que a memória falhe,
cada suspiro em meu peito
traz-me de volta um detalhe...

           Tornou-se “freqüentador” assíduo de Nova Friburgo, obtendo no ano seguinte, 2002, Menção Especial no gênero humorístico, tema “BOTECO”:

Zé desmaiou no boteco...
Foi maldade (há quem suspeite):
Acharam no seu caneco
1 ml. de... LEITE!

          Quase um “hour concours”, em 2003 ele emplaca três trovas, mais uma vez um 2º. lugar e, além deste, uma Menção Especial no tema lírico/filosífico, “ESPERA”. A fim de carimbar outra vez o “passaporte” para a Meca dos Trovadores, uma Menção Especial no humorístico, “SURPRESA”. Eis aqui, respectivamente, as três trovas:

O tempo passa depressa
mas quem diz que eu envelheço?
- Cada olhar é uma promessa!
- Cada espera... um recomeço!

O que abriu essas crateras
nos meus sonhos arredios
foi plantar tantas esperas
e colher tantos vazios!...

Ela o chama, o olhar aceso:
“Vem, Zé!” – cheia de carinho;
E ele vai, porém, surpreso...
Ele é João... Zé é o vizinho!...

           No ano seguinte, 2004, José Ouverney alcança o pináculo merecido: 1º. lugar! O tema naquele ano era “REFÚGIO”. Encantou a todos nós com esta jóia, que – devido a Tradição de Nova Friburgo – o levaria a pronunciar-se em Nova Friburgo com um discurso feito em trovas:

Baú velho, tampo torto,
cartas e fotos mofando...
- Refúgio de um sonho morto
que eu vivo ressuscitando...

          Com o 2º. lugar de 2003 e o 1º. lugar de 2004, ficou a um passo de se tornar, segundo a tradição de Nova Friburgo, Magnífico Trovador. Bastava classificar-se entre os 10 primeiros no ano seguinte. A torcida dos amigos foi grande, mas não era dessa vez ainda que ele haveria de chegar ao podium. Em 2005, vem mais uma vez à tona a sua veia humorística; ele obtém uma Menção Especial no tema “COMILÃO”. (Em quem terá se inspirado? Isso ele não contou...) Um detalhe: sem usar a palavra-tema na trova, mas com perfeitíssima e irretocável caracterização:

Com garfo e faca na mão,
seus golpes são magistrais:
Se na Trova é um campeão,
no rodízio é muito mais!

          Em 2006, ele carimba o passaporte com duas trovas: 8º. lugar (Menção Honrosa) no gênero lírico/filosófico “FRONTEIRA” e Menção Especial no humorístico “VINGANÇA”:

Fugir, poeta, não queiras,
do que a vida preceitua:
Teu destino é abrir fronteiras
e deixar que o sonho flua.

O ganso jurou vingança
ao notar, estupefato,
que o pato dormiu com a gansa
e ele fez “papel de pato”!

           Em 2007, retorna o nosso quase “hour concours” a Nova Friburgo, dessa vez com o 3º. e o 7º. lugar no tema lírico/filosófico “MENSAGEM”:

Expulsando a maquiagem,
a lágrima veio, pura...
e pousou sobre a mensagem,
no lugar da assinatura!...

Velhas mensagens esparsas
num diário já sem cor,
são testemunhas das farsas
que um dia chamei de... amor!

           Mais uma vez a expectativa pairou no ar e tomou conta do coração dos Amigos de Ouverney. Pela segunda vez consecutiva ele ficou “na embocadura” para Magnífico em Nova Friburgo. Quereria a Vida que se confirmassem tais expectativas e isso viesse efetivamente a acontecer? 2008 chegou. Jogos Florais de Nova Friburgo. Gênero Lírico/Filosófico, tema: “ESCOLHA”. Ouverney seria o “escolhido”? Finda o prazo. Começa o julgamento. Os jurados entregam suas notas. Tem-se o corpus das 15 premiadas de cada gênero. A comissão dos Jogos Florais se reúne na casa de Elisabeth Souza Cruz para a abertura dos envelopes. 05 Menções Especiais... nada de Ouverney. 05 Menções Honrosas... nada de Ouverney. Os trovadores de Friburgo, na expectativa de ver o Irmão Trovador alçado ao panteão dos Magníficos estão torcendo ansiosamente! 5º. lugar... nada de Ouverney. 4º. lugar... nada de Ouveney. Os rostos ficam tristes. Não era desta vez. Que pena... 3º. lugar... nada. 2º. lugar... nada. E, finalmente, 1º. lugar: JOSÉ OUVERNEY!!! Os corações vibram e gritam de alegria. JOSÉ OUVERNEY, O NOVO MAGNÍFICO TROVADOR DE NOVA FRIBURGO, A MECA DA TROVA, a cidade sagrada dos Trovadores para onde todos os corações peregrinos se voltam! Quando a comissão dos Jogos Florais achava que não era desta vez, a Vida abre um sorriso escancarado e dá o galardão do 1º. lugar ao Notável Trovador José Ouverney, que se consagra, finalmente!,

          Magnífico Trovador no gênero lírico/filosófico com esta maravilha de Trova, merecedora da galeria das antológicas:

Duas culpas, um pecado
e um remorso a nos doer:
você – que escolheu errado;
eu – quem nem pude escolher...

          Eu e tantos irmãos trovadores de José Ouverney esperávamos que ele conseguisse a “pole position” e subisse ao podium. Para José Ouverney, uma merecidíssima conquista. Uma alegria a ele e todos os seus irmãos trovadores que, como eu, gritam de alegria INCONTIDA: PARABÉNS, IRMÃO OUVERNEY!!! VOCÊ MERECE!!!

          Waldir Neves, seu inolvidável padrinho, se estivesse entre nós, certamente daria um sorriso matreiro de satisfação e diria: “Para mim não é novidade. Eu já sabia que isto iria acontecer.”