Aurora Pierre Artese - São Paulo

     AURORA PIERRE ARTESE  era integrante da UBT São Paulo. Nascida em um 14 de janeiro. Faleceu em janeiro de 2003.

Felicidade é um recado
sem data, sem remetente,
chegando sempre atrasado
na caixa postal da gente!

As Trovas que ele escreveu
têm valor... mas não têm preço.   
(Vencedora  Pinda - 1997)
Luiz Otávio não morreu
foi morar noutro endereço.

Ah... se no inverno da idade,     (São Paulo 1993)
voltassem as andorinhas,
aquelas, da mocidade,
que um dia foram só minhas!

No espaço da porta aberta,    (Venc. S.João Boa Vista - 1993)
entra a saudade e, comigo,
divide a mesma coberta
que eu dividia contigo!...

Pinheiros ao sol levante,
parecem taças voltadas
sorvendo o orvalho espumante   
(M. Honrosa Pinheiros/SP - 1992)
no festim das madrugadas...

Duas almas quando juntas                    (Menção Honrosa "Vilas de Portugal" - 1991)
se completam sem temor...
mas quando o amor faz perguntas,
a incertea mata o amor.

Seguindo os passos das horas   (M.Especial S.João Boa Vista - 1991)
na solidão desmedida,
eu perdi muitas auroras
na aurora da minha vida.

Menino pobre, sem rosto,        (M. Especial Niterói - 1991="Festa")
sem futuro, sem roteiro,
só festeja o seu desgosto
com cola de sapateiro...

De um segredo bem guardado     (Vencedora UBT SP - 1990)
num alento quase mudo,
fiz um verso em tom magoado
e, sem querer... disse tudo!

Muitos versos em segredo         (M. Honrosa UBT SP  - 1990)
te escrevi, com emoção...
Não mandei, pois tive medo
da resposta ser... um “não”!

Enquanto aumenta a cidade     (M. Especial Museu SP - 1989)
na moderna construção,
cresce comigo a saudade
dos tempos do... casarão!...

É no fim da caminhada,
quando nada mais se alcança,    
(Venc. Elos Clube SP - 1988)
que uma luz quase apagada
traça um risco de esperança...

Quando a saudade procura
entrar, arrombando as portas,    
(8º lugar Nova Friburgo - 1988)
ilumina a casa escura
das minhas lembranças mortas!

A brisa da madrugada         (M. Honrosa Santos - 1987)
entrando pela janela,
balança a rede bordada
de sonhos, dos sonhos dela...

A brisa do amor caindo
em minha rede do outono,     (M. Honrosa Santos - 1987)
é primavera florindo
uma roseira sem dono!...

Caminho despercebida
entre os que vivem tão sós...     (Vencedora Niterói - 1987)
mas daria a minha vida
para alguém dizer-me... Nós!

 

Nossa vida é um manto feito         (M. Honrosa Niterói - 1987)
com capricho e sutileza,
bordado pelo direito,
sobre o avesso da incerteza.    

Solidão... pautas vazias,
cantigas lentas, remotas...    
(M. Honrosa Nova Friburgo - 1986)
solfejo marcando os dias
no descompasso das notas!

Na moldura da janela,      (2º lugar S.Bernardo do Campo 1986)
a tua sombra franzina,
é uma pintura sem tela
entre as rendas da cortina.

A inocência tem a graça
e o porte de uma rainha;        
(Vencedora UBT SP - 1984)
límpida jóia sem jaça,
da mais pura água marinha.

      HUMORÍSTICAS

A Maria do Rosário
vaidosa e analfabetinha,      
(4º lugar Nova Friburgo - 1989)
procura um veterinário
que tire "pés de galinha"...

A viúva do Licínio,
pelo jogo tem um fraco...     
(Vencedora UBT SP - 1984)
e sustenta o condomínio
com o lucro do... “buraco”!...

Ciumenta, a pata chorava,   (5º lugar Nova Friburgo - 1984)
procurando pelas matas,
sabendo que o pato estava
andando com duas patas!