Argemira Fernandes Marcondes

ARGEMIRA FERNANDES MARCONDES
filha de José Ramos Marcondes e Madalena Fernandes de Faria, nasceu em Natividade da Serra, que é torrão natal também de Cesídio Ambrogi, num dia 15 de dezembro. Pessoa extremamente humilde e introvertida, mal pode imaginar, quem a vê, o senso de humor de que é dotada. Trovadora mais premiada de Taubaté nas últimas décadas. Ocupa a cadeira nº 30 da Academia Taubateana de Letras.
Sem alegria no rosto,
mas para espantar o pranto,
tento esquecer meu desgosto (2° lugar Pouso Alegre 2003)
cantando, triste, mas canto.
Chuva amiga, seja breve,
pedir-lhe angustiada, eu venho, (M. Especial Porto Alegre 2003)
o meu barraco não leve
pois ele é tudo o que eu tenho.
Para nao se ver omissa,
com tantos injustiçados
é que a estátua da Justiça
tem os seus olhos vendados.
A mentira é uma afronta,
começa pequena, leve...
Quando a gente se dá conta
já virou bola de neve.
Aos poucos vão se acalmando
minha tristeza e ansiedade,
e o tempo vai transformando
a tua ausência em saudade.
No falar, sou indeciso
mas isso não é ruim
porque sempre que preciso
a trova fala por mim.
Se da mesa me levanto
com a fome saciada,
peço perdão por ter tanto,
quantos tantos não têm nada.
À minha sogra querida,
meu carinho e gratidão:
foi ela que deu a vida
a quem dei meu coração.
Temendo a desilusão,
fugi da felicidade
e agora, em meu coração,
não encontro nem saudade.
Mesmo que a fé nos conforte
nesta vida de agonia,
é preciso um ombro forte
para a cruz do dia-a-dia.
Em teus braços recupero
a minha serenidade;
és refúgio quando quero
fugir da realidade.
HUMORÍSTICAS
Hoje eu quase me acabei
de tristeza e de ansiedade. (Maranguape 2008)
Por pouco não me afoguei
ao mergulhar na saudade.
Sempre criticando alguém (Maranguape 2008)
essa cabecinha oca,
parece até que ela tem
a língua maior que a boca.
Nem todo dia se come,
é a miséria das misérias, (Menção Especial Magé 2005)
mas enquanto eu tenho fome,
o meu fogão tira férias.
Quando chove é aquele drama,
minha casa é uma peneira, (Menção Especial Porto Alegre, 2003)
durmo debaixo da cama
para fugir da goteira.
Levando um coice da mula,
minha sogra se mandou.
A mulinha nem calcula
o galho que me quebrou!
Esse seu jeito boboca
faz o clima ficar "russo",
assim você me provoca,
não suspiro, mas soluço...
Os assaltantes, em três,
fugiram, vendo o espantalho.
Foi essa a primeira vez
que a sogra quebrou meu galho!
A minha pressão subiu
e eu fiquei até corada,
quando meu bem descobriu
a minha agenda lotada!
Fazendo cooper no asfalto
e dando uma escorregada,
a sogra caiu no salto,
então, caí na risada.
Quando chove é aquele drama,
minha casa é uma peneira,
durmo debaixo da cama
para fugir da goteira.
Toda manhã, no portão,
aguardo a sua passagem;
pra não chamar atenção,
finjo curtir a paisagem.
