Aprygio Nogueira - Pouso Alegre
Aprygio Nogueira nasceu em Machado, no sul de Minas Gerais, no ano de 1928. Trovador muito talentoso e espirituoso ao extremo. Residiu em Belo Horizonte mas tem seu nome ligado por mais tempo à UBT de Pouso Alegre. Faleceu aos setenta anos, em outubro de 1998.
Quando eu morrer, solidão,
quero chuva no jardim,
para sentir a ilusão
de alguém chorando por mim!
Saudade parece praga,
parece mato insistente: (Fonte: "O Ubeteano")
mato que nasce da vaga
da flor que morreu na gente.
Se moras no céu, querida,
tão longe dos olhos meus,
é a primeira vez na vida
que sinto inveja de Deus...
Tanto em teu rastro, querida, (Fonte: "O Trovadoresco")
meu coração se perdeu,
que quando cais, pela vida,
quem se machuca sou eu
O amor é um sol diferente
cuja luz nos faz achar
o pedacinho da gente
que nasce em outro lugar!
És a maior das mulheres,
quando a renúncia, querida,
te faz dizer que não queres (M. Honrosa São João da Boa Vista 1995)
o que mais queres na vida!
Ajude-me a suportar
a minha vida, Jesus:
- fique um pouco em meu lugar,
me deixe um pouco na cruz.
Tanto ao Mandu me associo (Pouso Alegre 1997)
por termos rotas vizinhas,
que a epopéia desse rio
tem muitas estrofes minhas.
O céu é longe, porém,
uma coisa descobri:
pelo caminho do Bem,
esse longe é logo ali.
Lá longe, quase defronte (M. Especial Pouso Alegre 1997)
de alguma divina serra,
fica a linha do horizonte
costurando o céu na terra.
HUMORÍSTICAS
Cabra guloso e nefando
foi o cabra Zé Ramiro
que faleceu mastigando
o seu último suspiro!
Embora invertendo o nome
do que lhe dás por almoço,
teu cão não ilude a fome,
pois osso, invertido... é osso!
Minha sogra bateu asa
quando, com muita cautela,
pus um retrato, lá em casa,
da finada sogra dela...
Tudo é “trem” no meu Estado,
e é por isso que a patroa,
por me ver aposentado,
me chama de “trem à toa”!
