Amaryllis Schloembach - SP

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AMARYLLIS SCHLOENImagem removida.BACH nasceu em Sáo Paulo-SP, a 19.5.1938.  Jornalista, advogada, tradutora, poeta, cronista. Formada também em Letras.  

     Sobrinha-neta da Poeta COLOMBINA (YDE SCHLOENBACH Blumenschein).  Viúva do jornalista Ralpho Lenzi.  Prima da escritora Maria Thereza Cavalheiro, com quem partilhou a fundação da Seção Municipal de São Paulo da União Brasileira de Trovadores, atuando de 1969 a 1976.

    Livros publicados (Poesia): “Pelos Meandros do Tempo”/1987 (Poemas e Trovas) e “Girândola”/1993 (Poemetos e Trovas).  Obbteve vários prêmios, entre outros, 1º lugar no II Concurso Nacional Freitas Bastos de Poesia/1986; Medalha de Ouro nos I Jogos Florais Nacionais do Paraná /1971; 1º Lugar de Poesia e 1º Lugar de Trova em concursos do periódico “Torre de Pedra”/2005, do Rio Grande do Sul.  Colaboradora da Revista “Santos Arte e Cultura”, editada pelo biógrafo Cláudio de Cápua, também trovador.

 

Este amor que é meu tormento

bate em casa abandonada...

Responde, na voz do vento,

somente o eco, mais nada!

 

À hora do adeus, os laços

se prendem com mais ardor,

e ele adormece em meus braços,

extenuado de amor!

 

 

O orvalho, do céu liberto,

de uma flor se fez amante,

e em seu regaço entreaberto

pôs um límpido brilhante!

 

Invejo a rosa tão linda,

que, sem ligar para a sorte,

a vida perfuma ainda,

altiva, à espera da morte!

 

Quando, no ocaso da vida,

um amor nos surpreende,

a existência agradecida

em nova chama se acende!

 

Este amor que eu acalento,

pelo qual estou perdida,

é meu canto e meu lamento,

minha morte e minha vida!

 

Solitário, junto à margem

chora, saudoso, o salgueiro:

parecem vir da ramagem

as águas do rio inteiro!

 

O bem maior só teremos

se da Sorte for vontade,

pois num barquinho sem remos

passeia a felicidade...

 

Morre a noite de repente.

Seu sangue cobre a amplidão.

E a aurora, triste e silente,

se ajoelha em oração.

 

O fio do pensamento

vai tão longe e até parece

que, impelido pelo vento,

quer prender quem já me esquece!

 

A aurora vibra o açoite;

o céu de sangue se inunda...

Ferida de morte, a noite

tomba no mar e se afunda.

 

A energia que me anima,

vem de ti, do teu amor.

És meu canto e minha rima,

meu sorriso e minha dor!

 

Amo a flor, tão simplesmente,

por ser símbolo da paz,

e vir de Deus, no presente

que a Natureza nos traz!

 

Já não posso refrear

esta paixão violenta,

que ruge mais do que o mar,

presa de rude tormenta!

 

Atenção: não corras tanto

em teu meio de transporte.

Não deixes ninguém em pranto,

não busques a própria morte!

 

Procura esquecer teu pranto

secando o pranto de alguém;

assim verás mais encanto

no encanto que a vida tem!

 

Aquele raio de luz

que iluminou minha estrada,

agora apenas conduz

ao triste rumo do nada!

 

Amo-te com tanto ardor,

que até sinto em todo colo

da tua seiva o calor

que fará florir meu solo.

 

Não se arrefece por nada,

nem à razão obedece,

amor que é brasa apagada,

mas das cinzas recrudesce!

 

Se queres colher a paz,

não procures tão a esmo;

só pode tê-la quem traz

a paz dentro de si mesmo!

- Coração, bates ligeiro,

até mudas de compasso,

se recordo o amor primeiro

ou se perto dele passo!

Vem a noite devagar...

O sol desce no horizonte...

- Sonharei com teu olhar

até que a manhã desponte!...

Um breve sonho de amor

- depois, ventura perdida -

é aquele doce amargor

em que se resume a vida.

Espumas, ondas bravias,

soluça o oceano em revolta;

como ele sou (não sabias?)

quando aguardo tua volta.