AINDA SOBRE O MANUAL DE ORIENTAÇÃO (transcrito do Boletim UBT/RJ nº 391 de agosto/2015, coluna "Dois dedos de prosa" de Renato Alves)

Manual para orientação de julgadores - II (Um esclarecimento)

Como previsto, recebi imediatamente após a publicação do meu artigo anterior, críticas de que estaria pregando “facilitação” na confecção de trovas quando a sua beleza está exatamente na dificuldade de fazê-las. Por isso, volto ao assunto para esclarecer alguns pontos que podem não ter sido bem entendidos no texto:

1º) Não externei ali opinião a favor ou contra a aceitação de qualquer forma de métrica ou rima específica para diminuir o rigor dos julgadores. O que reivindiquei foi apenas um posicionamento oficial sobre o que pode ou não pode ser usado para dar maior uniformidade aos julgamentos das trovas, visando principalmente à orientação dos trovadores novatos.

2º) Apesar disso, tenho sim uma posição firme sobre os muitos casos polêmicos que frequentemente são trazidos à baila em discussões na “internet”; convicções essas embasadas na aplicação dos princípios da Fonologia que devem reger a construção formal das redondilhas, afinal, elas são um conjunto de sete sons ( = fonemas) e não de letras. No momento, porém, não estou tratando disso porque o assunto já me rendeu alguns aborrecimentos e injúrias incompatíveis com o nosso carinhoso relacionamento de irmão-trovadores.

3º) Minha insistência em sugerir a criação de uma espécie de “manual” para as rimas, catalogando os casos polêmicos, visa a trazer, principalmente aos “Novos Trovadores” (em boa hora tão prestigiados pela UBTN), a tranquilidade de usar bem os elementos formais da trova, sobrando-lhes tempo para se dedicar ao “achado”, (cada vez mais pobres), coisa que, infelizmente, a obsessão pela forma vai prejudicando e deixando em segundo plano. É o que penso.

4º) Havendo disposição oficial de se estudar tal medida, tomo a liberdade de indicar três fontes absolutamente confiáveis para a coleta de subsídios: vários artigos de A. A. de Assis, as “Sugestões de José Ouverney à UBTN” e o brilhantíssimo “A trova... sempre”, texto de Vanda Fagundes de Queirós, todos disponíveis no site “Falando de Trova”.

 (Renato Alves, disponível em "Colunas & Colunistas, deste site)