Sonetos

Sonetos selecionados, compostos em ordem alfabética:

Adelmar Tavares
Anamaria Jório R. Marcondes - Pinda
Antonio Augusto de Assis-Maringá
Amilton Maciel Monteiro-S.J. dos Campos
Belmiro Braga
Divenei Boseli- São Paulo
Dorothy Jansson Moretti - Sorocaba
Edmar Japiassú Maia - Rio de Janeiro
Eliana Dagmar - Amparo
José Antonio Jacob - Juiz de Fora
José Fabiano - Belo Horizonte
J.G. de Araújo Jorge
Josafá Sobreira da Silva
José Messias Braz - Juiz de Fora
José Ouverney - Pindamonhangaba
Lauro Silva - Pindamonhangaba
Lilian Mayal - Rio de Janeiro
Marcelo Henrique - Amparo
Maria Nascimento Santos Carvalho - R.J. a>
Mário Quintana - Porto Alegre
Miguel Russowsky - Joaçaba-SC
Nilton da Costa Teixeira-Ribeirão Preto
Orlando Brito - São Luís/MA
Paulo Tarcízio S. Marcondes - Pinda
Pedro Mello - São Paulo
Pedro Ornellas - São Paulo
Sérgio Bernardo - N. Friburgo
Sônia Sobreira Silva
==========================================

A. A. de Assis - POR UM BEIJO
Por um beijo eu lhe dou o que sou e o que tenho:
os bons sonhos que sonho, as plantinhas que planto,
a pureza, a alegria, as cantigas que eu canto,
e o meu verso se acaso houver nele arte e engenho.

Por um beijo eu lhe dou, se preciso, o meu pranto,
as angústias da luta em que há tanto me empenho,
as saudades que trago do chão de onde venho,
as promessas que eu faço, piedoso, ao meu santo.

Por um beijo eu lhe dou meus anseios de paz,
minha fé na ternura e no bem que ela faz,
meu apego à esperança, que insisto em manter.

Por um beijo, um só beijo, um momento de amor,
eu lhe dou meu sorriso, eu lhe dou minha dor,
o meu todo eu lhe dou, dou-lhe inteiro o meu ser!



Amilton Maciel Monteiro - EXPERIÊNCIA

Já quase cinqüentão tomei da pena
querendo transmitir as impressões
que a vida, ora afobada, ora serena,
sempre me destinou em turbilhões...

Da ingênua infância, alegre, doce e amena,
comigo trouxe mil recordações...
e muito mais da fase não pequena
que perdurou a idade das paixões...

Talvez se eu disser o que senti,
o que enxerguei e ouvi, o que vivi,
e tudo o que aprendi no mundo, à beça,

alguém consiga errar menos que eu,
e creia na lição de quem sofreu
mas entendeu: amar é o que interessa!



Belmiro Braga - A MULHER
Ela, dos 15 aos 20 nos enleia,
dos 20 aos 25 nos encanta,
dos 25 aos 30 não há feia
e, dos 30 aos 40, não há santa

Dos 40 aos 50 ainda é sereia,
dos 50 aos 60, desencanta:
-- se for solteira – o próprio céu odeia;
se casada – de nada mais se espanta.

Dos 60 aos 70, não descrevo;
embora guarde n'alma um doce enlevo,
traz nos olhos, da mágoa o espesso véu...

Seja avó, seja tia ou seja sogra,
toda velhinha meus carinhos logra,
por lembrar minha mãe, que está no Céu...



Divenei Boseli- ANJO NEGRO
Tentando em vão ouvir a voz do sino
sepulto nas sepultas pedras brutas,
eu perguntei ao mar: - com que permutas
o som que eu tento ouvir com desatino?

Assim foi quando eu quis, do meu destino,
sondar os socavãos das próprias grutas
que guardam até hoje, hostis e astutas,
meu barco sem timão: meu próprio tino.

Mas, vendo entardecer o meu desgosto,
a lua branca e o sol, já quase posto,
descerram do mistério o denso véu

e um anjo cor da noite, abrindo a trilha,
levou-me ao céu recôndito da Ilha
e eu cavalguei o mar dentro do céu!
/ / / / / / / / / / / / / / / /
PARADOXO
O tempo vai passar devagarinho...
Só o homem quer chegar com muita pressa
ao fim, porque supõe que ali começa
a Vida Eterna (ainda em desalinho...)

No tempo, a multidão corre e se estressa:
ninguém enxerga a flor, o passarinho,
o alvorecer, o ocaso e o miudinho
sinal da lua que o céu atravessa...

Eu sou, na multidão, extra-terrestre,
buscando flores de feição rupestre,
e a "luz" da lua quando se repete.

Eu quero o humor, o amor, eu quero a Vida
de quem, da multidão, sai e decida
me procurar... ao menos na Internet...


São Paulo, 16/03/2005-3:00 h

Edmar Japiassú Maia - LEILÃO
Mais uma vez, tolhido o sentimento,
eu busco o amor, em condições precárias.
E apesar de manter o olhar atento,
ele me escapa em direções contrárias...

Uma vez mais, burlando o meu intento,
eu não impeço as decisões sumárias
de um coração que, em seu compasso lento,
passou de mão em mão... e foram várias!

Desiludido, a mágoa me convence
de que em meu peito, ainda esperançado,
há um grande amor que a quem der mais pertence.

-- Dou-lhe uma! Dou-lhe duas! Dou-lhe três!
E anseio o coração arrematado
nos lances de um leilão... mais uma vez!

Eliana Dagmar- QUANDO
Quando a ternura compuser-me os traços
e a solidão for mera referência,
liberta das amarras dos meus passos
serei um verso respirando essência...

Quando o egoísmo que atrofia os braços
buscar seu reino em outra descendência,
viajarei por múltiplos espaços
enfim liberta de qualquer carência...

Quando outro tempo depurar minh'alma,
quando outro estágio me fizer mais calma,
imune aos rogos deste mundo insano,

serei eu mesma em tempo que não cessa,
começo e fim de um sonho que professa
a eterna paz no coração humano!

J. G. de Araújo Jorge - SONETO À TUA VOLTA
Voltaste, meu amor... enfim voltaste!
Como fez frio aqui sem teu carinho...
A flor de outrora refloresce na haste
que pendia sem vida em meu caminho.

Obrigado... Eu vivia tão sozinho...
Que infinita alegria, e que contraste!
-- Volta a antiga embriaguez porque voltaste
e é doce o amor, porque é mais velho o vinho!

Voltaste... E dou-te logo este meu poema
simples e humilde, repetindo um tema
da alma humana esgotada e envelhecida...

Mil poetas outras voltas celebraram,
mas, que importa? – se tantas já voltaram,
só tu voltaste para a minha vida...

José Fabiano - SONETO AOS 77 ANOS
Coração, quantas vezes não me fiz
esta mesma advertência que me fazes
de que não devo, para ser feliz,
querer amar como amam os rapazes.

Sei que, não sendo jovem nem petiz,
da vida estou na última das fases
e que não são nem foram como quis
os meus setenta e sete anos fugazes.

A dor de ter algum sonho desfeito,
vejo hoje, à luz da Lei de Causa e Efeito,
tão-só como resgate ou como prova...

Mas tive e tenho muito, Coração:
amigos, a família, a inspiração
para fazer meu verso e minha trova!

José Messias - AUSÊNCIAS
Ao longe, passa um bando de gaivotas...
indo em busca de abrigo nos rochedos;
e, lá nas serranias mais remotas,
a tarde vai tecendo os seus enredos!

Estala e ruge o mar, em cambalhotas,
escalando as paredes dos penedos...
e a ilusão me conduz por outras rotas...
nas ondas do passado... e dos segredos!...

Vultos antigos voltam da viagem...
acenando nas águas encrespadas;
e eu paro, embevecido, ante a miragem!...

E enquanto expira a tarde rósea e calma,
escurecendo vales e quebradas,
pousa um bando de ausências em minh´alma!

= INSPIRAÇÃO
Absorto, incompreendido em seu dilema,
a questionar o próprio potencial,
ele costura nova estrofe ao tema,
lendo-a em voz alta, ríspido e formal;

carente de um melhor estratagema
que faça a inspiração dar-lhe um sinal,
navega horas a fio no poema,
à procura do enfoque original;

gosta, desgosta... Tira e põe remendo...
(Ah, esses poetas que eu jamais entendo!)
Lança outro olhar ao rasurado texto;

por fim, como a extirpar o próprio ser,
cético, arranca a página, a sofrer,
amassa a "obra-prima" e "zás"... no cesto!...

Lauro Silva - AMARGURA
Vida fora, vou só, despercebido,
inutilmente, como um ser qualquer;
a escutar o responso de um gemido
a todas as palavras que eu disser.

Eterno insatisfeito e incompreendido,
pressinto a anulação do que fizer.
Não recebo um louvor, mesmo fingido,
não me anima um sorriso de mulher.

A tropegar, sem fé, olhos errantes,
tangido pela glória dos amantes,
caminho para um termo que não sei.

E rolo como um seixo no declive,
ansioso pelo bem que nunca tive
e saudoso do amor que não terei.

Lilian Mayal - FEBRE
A boca anseia a carne delirante
que os beijos desses lábios torneados
lambuzam de sabores variados
o mel que escorre em fio inebriante.

Meu homem, meu amigo, meu amante,
é doce ver-te em versos derramados,
sorrindo com os olhinhos marejados,
feliz de tanto amor, apaixonante!

Que venham as tormentas e procelas,
em nosso leito, branda luz de velas,
a iluminar os corpos de candura.

Trêmula, num sussurro, a nossa chama,
incendiando a paz da nossa cama,
a febre desse amor não tem mais cura!

Marcelo Henrique - TROMBETAS -A uma alma que sofre
O brilho dos seus olhos causa dó,
Embora seja a luz no firmamento.
Retinas inundadas num momento
E, em outro, a sensação de estar mais só...

A máscara de dor e de tormento
Provoca na garganta um triste nó,
Como se você fosse a Jericó
Sem Josué do Antigo Testamento.

Toque as trombetas, meu amor, destrua
Essas muralhas de seu coração,
Sem se importar com quem está na rua.

Pisemos, meu amor, a terra firme.
Os “mascarados” vivem de ilusão...
E eu já passei da fase de iludir-me!

Mário Quintana - SONETO
Escrevo diante da janela aberta.
Minha caneta é cor das venezianas:
verde!... E que leves, lindas filigranas
desenha o sol na página deserta!

Não sei que paisagista doidivanas
mistura os tons... acerta... desacerta...
Sempre em busca de nova descoberta,
vai colorindo as horas quotidianas...

Jogos de luz dançando na folhagem!
Do que eu ia escrever até me esqueço...
Pra que pensar? Também sou da paisagem...

Vago, solúvel no ar, fico sonhando...
E me transmuto... iriso-me... estremeço...
Nos leves dedos que me vão pintando

Miguel Russowsky- MÃOZINHAS...MÃOS...MÃOS POSTAS?!
Chega a vez das mãozinhas se agitando
(na vertical), bulindo nos brinquedos,
que o berço, ainda virgem dos enredos,
nem se assossega de esperanças, pando.

... E vem a vez que as mãos se juntam, quando
com alianças nervosas já nos dedos,
aboliram de si todos segredos,
felizes, um eterno amor jurando.

Mais vezes, mãos que, tensas no trabalho
de enxada... anzol... cinzel... caneta... malho...
tentaram colorir o dom da vida.

Mãos postas... desta vez, rijas no peito...
(Horizontais)... é o derradeiro leito...
rugosas... frias... e... missão cumprida!

Miguel Russowsky- O DIA ESTAVA LINDO DE MORRER...MORRI!
Morri. (Mas não morri, foi ameaça.
Eu me fingi de morto por esporte.
Embora eu já não seja assim tão forte,
é cedo para expor minha carcaça).

Pois bem, morri. Talvez alguém se importe
do cadáver e alguma coisa faça.
A vida sem surpresas não tem graça.
Que tal ser imortal após a morte?

Digamos que morri. Vejam a conta:
Caixão e velas, mais a missa pronta
e do enterro, convites aos montões.

Depois de consternar este cenário,
eu ressuscito e aponto o calendário:
-- É primeiro de abril, seus bobalhões!

Orlando Brito- A VOZ DA TERRA
A terra disse ao homem: -- Fazendeiro,
graças a mim possuis tanta riqueza
-- o engenho, a casa, o pão e o vinho à mesa,
o gado e as plantações que dão dinheiro.

Vou, com meus dons, suprindo teu celeiro,
porém não sou sozinha nesta empresa,
pois, num trato que fiz com a natureza,
a chuva é sócia, o sol é meu parceiro.

Mas não te regozijes dessa vida,
pois tal como dás pouso e dás comida
aos bois, que tua fome vão matar,

assim eu te alimento, assim te amparo,
e a cova que na sombra te preparo
é a boca com que vou te devorar.

Pedro Mello- A DIFÍCIL ARTE DE FECHAR GAVETAS
Nas gavetas estão os meus dias (felizes
e infelizes), a lua, um pouco de saudade,
resquícios de paixões, lembranças, ansiedade,
vestígios de mulher, amores sem raízes...

Nelas estão papéis, delírios e deslizes
de um homem descuidado e meio sem vontade,
retalhos de ilusão, sonhos pela metade,
pedaços de amargor formando cicatrizes...

Que faço se não sei fechar minhas gavetas?
Se navego o Universo em busca de planetas,
mas nada satisfaz e tudo é meio-tom?

Acostumar-me à Guerra ou procurar a Paz -
o que devo almejar? Para mim, tanto faz
eu viver ou morrer... Nenhum dos dois é bom...

Pedro Ornellas- CRENÇA
Eu creio em Deus, que tudo fez do nada,
Deus poderoso, sem princípio e fim;
Deus invisível, mas que, ainda assim,
tem existência certa e comprovada!

Eu creio nesse Deus, eu creio sim!
Sinto a presença Dele em minha estrada!
Creio em seu Livro, a diretriz sagrada
que vida eterna põe diante de mim!

E, crendo em Deus, autor da profecia,
creio em Jesus, que a minha crença guia
e que a maldade odeia e deixa exposta.

Sem essa crença, tenho refletido,
torna-se a vida um fato sem sentido,
uma pergunta que não tem resposta!

Sérgio Bernardo- ÊXODO
Ir-me de mim, mas ir com desapego
de tudo quanto sou ou tenha sido
-- eu, que imagem me fiz de um mito grego,
no espelho de outros olhos refletido.

Partir... Mas quando? Se ainda agora chego
de algum lugar onde vaguei perdido,
trazendo, para meu desassossego,
a inconsciência total de haver partido.

Ir louco, a deflorar os horizontes,
o espírito andarilho, a carne errante,
na fome, as árvores; na sede, as fontes.

Venha junto o que igual absurdo enfrente,
de partir para longe a cada instante
e ficar em si mesmo eternamente.

Sonetos

Palas_Atena Gostei dos sonetos, em especial do Êxodo.

Passeei pelo jardim dos poemas

Palas_Atena Parabéns a todos os artistas!

Primeira Visita

Estou me "desmatutando"
já sei entrar nesse "gueto"
ói eu aqui, acessando...
Só falta aqui, meu soneto!

Powered by Drupal - Design by artinet